Projeto pioneiro traz caracterização do uso da água nas indústrias do Paranapanema

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema (CBH Paranapanema) em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), promoveu um webinar para lançar o estudo: “A indústria na Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema – Uso da Água e Boas Práticas”. O evento, realizado de forma virtual, contou com a participação de cerca de 70 pessoas e foi transmitido ao vivo por meio do Youtube, no canal do CBH Paranapanema.

A Bacia do Paranapanema, conta com mais de 20 mil indústrias, sendo 99 setores diferentes. O estudo, que é pioneiro, caracterizou o perfil de uso da água e estimou a carga efluente potencialmente poluidora da indústria, considerando as reduções geradas pelas ações sustentáveis de racionalização do uso da água e tratamento ou reuso de efluentes, ou seja, as boas práticas desenvolvidas.

A apresentação do estudo foi feita pelos técnicos da ANA, focada nos dados dos quatro maiores segmentos industriais instalados na Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema: sucroenergético, celulose e papel, bebidas alcoólicas, abate e produtos de carne. Após a divulgação dos resultados gerados pelo projeto, representantes do segmento foram convidados para comentar acerca do Estudo.

O representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Quadrelli Neto, abriu o diálogo. Segundo ele, o webinar mostrou novas possibilidades de gestão participativa. “É um estudo muito importante para ressaltar a necessidade de aproximação do setor industrial com os agentes de planejamento, órgãos fiscalizadores e órgãos gestores de recursos hídricos”, destacou.

Representando a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Vanessa Prezotto ressaltou o papel do produtor rural, seja como usuário de água ou como fornecedor de matéria prima para a indústria. Ela pontuou, ainda, a importância do produtor rural se envolver junto aos demais segmentos na gestão.

Em seguida, representando a Federação das Indústrias do Estão de São Paulo (Fiesp), Alexandre Vilella, apontou que uma das virtudes do projeto é enxergar a indústria como aquela que poderá desenvolver novas soluções para as cidades e para o próprio cidadão, disseminando as boas práticas que são utilizadas e incorporadas no processo de educação ambiental.

Para finalizar, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Marcos PupoThiesen destacou dois pontos principais. “As melhores práticas identificadas podem ser aplicadas em diversos setores; e o estabelecimento de indicadores traz uma referência para que as indústrias avaliem a sua gestão dos recursos hídricos”.

Confira as informações detalhadas sobre o estudo separadas por segmento:

Sucroenergético

Do setor sucroenergético, 26 indústrias foram avaliadas, por meio de informações diretamente fornecidas ou buscadas junto aos órgãos de licenciamento. De acordo com o estudo, estima-se que o setor utiliza cerca de 1,02 metro cúbico de água para o processamento de cada tonelada de cana (m³/ton cana). A perda por evaporação é de cerca de 0,92 m³/ton cana.O estudo aponta, ainda, que o setor conseguiria alcançar a meta de utilização de 0,8 a 1,0 m³/ton cana se adotadas uma série de boas práticas apontadas pelo próprio setor. Se atingida essa meta, o potencial de reduzir o consumo de água está entre 11 e 17,6 bilhões de litros por ano.

Celulose e papel

Dentro da Bacia Hidrográfica do Paranapanema, as indústrias voltadas para a fabricação de celulose e papel estão, principalmente, concentradas nas vertentes paranaense da Bacia – Norte Pioneiro e Tibagi. Foram colhidos dados de 78% das indústrias do setor dentro da Bacia, seja de forma direta, por meio de questionários, ou indireta, repassadas pelos órgãos gestores.

O estudo apontou que o setor utiliza cerca de 27,8 m³ de água (captada) para a fabricação de cada tonelada de celulose produzida (m³/tsa); entre 13,5 e 67,8 m³/ton papel para a fabricação de celulose e papel; e entre 33,0 e 38,4 m³/ton papel para a fabricação de papel. Os dados ainda mostraram que a perda por evaporação é entre 0,9 e 1,0 m³/ton papel.

O estímulo às boas práticas, que aproximem as indústrias das metas de captação e lançamento, tem o potencial de reduzir a retirada da água em mais de 43 bilhões de litros ao ano, reduzir o lançamento em mais de 41 bilhões de litros ao ano e com isso reduzir a carga de DBO (demanda bioquímica de oxigênio) em 720 toneladas/ano.

Bebidas Alcoólicas

Foram colhidos em 100% das indústrias do setor de bebidas alcóolicas localizadas na Bacia, de forma direta, por meio de questionários, ou indireta, repassadas pelos órgãos gestores.Os dados apresentados mostram que as indústrias do setor de bebidas utilizam cerca de 2,87 a 3,33 m³ de água por m³ de cerveja em indústrias de grande porte, e de 3,75 a 8,32 m³ água/m³ de cerveja para indústrias de pequeno porte. Os dados mostram que a perda por evaporação é de 0,55 a 0,60 por m³ de bebida.

O setor de bebidas é reconhecido por boas práticas da indústria com ótimos indicadores, com boas médias atuais e grande potencial em redução de uso da água. Os indicadores mostram o potencial de reduzir o lançamento de água residuária em mais de 500 milhões de litros ao ano, reduzir o consumo anual em mais de 300 milhões de litros por ano, e reduzir a carga de DBO (demanda bioquímica de oxigênio) em 17 toneladas/ano.

Abate e produtos de carne

Para o setor de abate e produtos de carne foram colhidos dados de 66% do total de indústrias do setor, de forma direta, por meio de questionários, ou indireta, repassadas pelos órgãos gestores. Os dados mostram que as indústrias utilizam entre 2,74 e 12,78 m³ de água por tonelada de produto no abate de bovinos; de 3,05 a 9,24 m³/tonelada de produto no abate de bovinos e suínos; 1,69 a 12,05 m³/t de produto no abate de suínos; 6,74 a 17,00 m³/t de produto no abate de aves e 2,46 a 2,66 m³/tonelada em subprodutos do abate.

O estímulo às boas práticas mostra um potencial em redução no consumo anual de mais de 6 bilhões de litros ao ano, redução no lançamento de águas residuárias em mais de 4 bilhões de litros ao ano, e reduzir a carga de DBO (demanda bioquímica de oxigênio) em 255 toneladas/ano.

Acesse o estudo completo clicando aqui e aqui.

O webinar completo você confere clicando aqui.

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